Após cinco dias sem “Bela”, família busca forças em meio ao silêncio da Vale

Familiares de Bela ainda não têm notícias; em meio ao desespero esperam por um milagre. FOTO: Divulgação.

Há cinco dias da tragédia em Brumadinho e a família de Izabela Barroso ainda não tem notícias da engenheira de Minas, que trabalhava há quatro meses na barragem no córrego do Feijão. Silêncio, até agora, é a única resposta da Vale. A família está em Valadares. Veio dar apoio à mãe de “Bela”, Mércia Barroso, que está muito abalada desde o dia da tragédia que pegou a todos de surpresa. A única coisa que a família consegue pedir, além de justiça, é oração para que um milagre aconteça.

De acordo com Marcelo Barroso, irmão da engenheira, o silêncio da Vale se transforma em choro dos parentes das vítimas. Ele sabe que, com os dias se passando, as chances de encontrar sobreviventes diminuem. “Só mesmo um milagre, mas no fundo sabemos que as chances vão se acabando com o passar do tempo. Antes de vir para Valadares fiz prova de DNA. Vocês não conseguem imaginar as coisas que estamos vendo naquele lugar, os corpos saem mutilados. Não dá pra saber sequer se é homem ou mulher. É devastador. O pior de tudo é que nós não recebemos nenhum telefonema da Vale até agora”.

Responsáveis são presos

De acordo com o porta-voz do Corpo de Bombeiros, já foram confirmados 65 mortos e 279 desaparecidos. Diante da tragédia que abalou o país, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram na manhã desta terça-feira, 29, uma operação com o objetivo de cumprir mandados de busca e apreensão e mandados de prisão temporária. O objetivo é apurar a responsabilidade criminal pelo rompimento de barragens existentes na mina Córrego do Feijão, mantida pela empresa Vale. Cinco engenheiros que atestaram a segurança da barragem 1 da mina do Feijão foram presos, dois em São Paulo e três em Minas Gerais.

por Angélica Lauriano | angelica.lauriano@drd.com.br