Ambiente digital

385
FOTO: Divulgação

O mundo contemporâneo tem sido caracterizado pelo ambiente digital, que traz no seu grande bojo belíssimas utilidades, no que se refere à comunicação ágil, mas, por outro lado, revela grandes perigos no seu uso desenfreado e desmedido.

Não podemos mais analisar pura e simplesmente a utilização dos meios digitais e suas tecnologias como uma ferramenta de comunicação e entretenimento, talvez porque a comodidade que as redes sociais oferece muitas vezes nos torna escravos dos vícios.

Esse desafio não mais se restringe à juventude, mas se estende aos usuários das mais variadas faixas etárias, que se perdem no mundo virtual, lançando-se num mundo misterioso, curioso, instigante até, e o real acaba por se anular.

Ótimo que as redes sociais e a web se apresentam como uma nova maneira de criar laços, estreitar não apenas amizades, mas relacionamentos puros e simples. Eis aí o perigo.

Se, por um lado, temos em mãos uma extraordinária ferramenta de diálogo, conhecimento, que promove a passos muitos curtos o intercâmbio entre pessoas, não podemos deixar de refletir sobre o lado obscuro deste universo.

Aquela prática de muitos pais de entregar um aparelho celular ou um tablet aos filhos para se livrarem de seu incômodo tem de ser repensada imediatamente. A prática, além de destruir a cultura familiar, submerge os filhos a um perigosíssimo ambiente repleto de armadilhas e tentadoras ofertas de uma vida ‘deliciosamente nefasta’.

Para entender melhor essa nova ordem mundial, basta reconhecer que a realidade humana sempre foi marcada por limites e também de lacunas. Bom entendermos que comunicação segura está muito longe de ser um mero contato virtual.

É objeto de estudos que fez nascer reflexão e até uma exortação do Papa Francisco acerca da utilidade e perigos do uso desacompanhado das redes sociais, especialmente pelos jovens.

Diz a exortação do papa: “O ambiente digital é também um território de solidão, manipulação, exploração e violência. Os meios de comunicação podem expor ao risco de dependência, isolamento e perda progressiva de contato com a realidade concreta, dificultando o desenvolvimento das relações interpessoais autênticas”.

Pois bem, meus irmãos e irmãs em Cristo, como eu disse, é urgente que passemos a nos policiar ao utilizar as redes sociais, a internet, com atenção especial o aparelho de telefonia celular, não apenas por nós mesmos, mas por uma causa muito mais necessária, a vulnerabilidade dos nossos jovens.

Somos muito menos “espertos” do que achamos que somos. As armadilhas do mundo virtual se apresentam com fórmulas mirabolantes para uma ilusória vida de felicidade plena, e, quando menos esperamos, estamos imersos em uma rede de tramas, violentando a nossa dignidade humana, roubando-nos toda a capacidade de nos manter sóbrios e equilibrados no trato da comunicação da vida real.

Não quero dizer que as redes sociais sejam uma ruína para a sociedade, mas assim se torna se não for conduzida observando-se os limites e a compreensão do que significa conciliar o mundo virtual e o real.

Precisamos fazer a síntese entre o pessoal, o próprio de cada cultura e o global. Isso requer que consigamos passar do contato virtual para uma comunicação boa e saudável.

Vemos, por exemplo, amizades se perderem a ponto de pessoas irem a vias de fato, por se tornarem vítimas das fake news. Esse exemplo é bem apropriado para podermos entender que não somos tão seguros de nós mesmos num ambiente virtual.

Refaço o alerta aos pais, para que possam acompanhar mais de perto o quanto seus filhos estão mergulhados no mundo virtual, a fim de que esses filhos, num futuro não muito distante, percam o elo que faz conduzir a cultura familiar, e não sejam eles estranhos dentro de suas próprias casas.

Desejo a todos muita paz e bem, com as bênçãos de Deus.