Amantes do esporte se despedem de Carioca

Em um momento de emoção e tristeza, foi sepultado na manhã de sexta-feira, 17, o jornalista esportivo Sebastião “Carioca” Nunes. Ex-jogadores de futebol, atletas do esporte especializado, representantes de clubes, profissionais de imprensa, líderes religiosos e autoridades compareceram ao cemitério de Santo Antônio para se despedir desse que foi o destaque do jornalismo esportivo e social de Governador Valadares por mais de 40 anos.

Antes do sepultamento foi celebrada uma missa de corpo presente, pelo Padre Vidal, da paróquia Santo Antônio, na qual Carioca era presença marcante. Um dos momentos mais emocionantes foi quando os quatro filhos do jornalista se despediram, com discursos pontuais sobre a relação com o pai, momentos antes de o caixão descer à sepultura.

Carioca trabalhou durante 45 anos no DIÁRIO DO RIO DOCE e, nesse período, não só promoveu o futebol, como também abriu janelas do mundo do esporte para atletas dos mais diversos segmentos esportivos, seja na capoeira, no atletismo, natação, vôlei, basquete, futebol de salão, entre outros. Mas o futebol era sua paixão, e na sua editoria não faltava espaço para o futebol profissional, amador e de várzea. Vários atletas surgiram através de suas matérias e incentivos. Muitos fizeram história em Valadares, em Minas, no Brasil e no mundo. Alguns desses atletas e amigos que conviveram com Carioca falaram sobre o valor de ter convivido com ele.

Deise Mércia
Ex-atleta das seleções Mineira e Brasileira de Basquete

“Carioca é o símbolo do esporte de Valadares. Falar de esporte é falar do Carioca. Ele que praticamente divulgou a cidade durante muitos anos. Eu e minhas duas irmãs fazíamos parte da Seleção Mineira de Basquete e depois da Seleção Brasileira, e ele nos dava o maior destaque nas páginas do DRD. Carioca era um homem de fé, de harmonia. Com ele não tinha tristeza. Além de perder uma pessoa que muito me incentivou e apoiou durante o tempo que fui atleta, tenho que ressaltar o carinho muito grande que ele tinha pela minha família. Que Deus o tenha”.

Júlio Cezar Nascimento – “Biquin”
Irmão de Carioca

“O Carioca foi um pai que eu tive, pai em tudo. Muito família, muito irmaozão, espirituoso. Eu tinha ligação muito forte com ele e onde ele ia eu estava com ele. Ele deixa um legado muito valoroso como irmão, pai, filho e esposo. No esporte, tinha suas peculiaridades; era  craque, mas muito encrenqueiro. Como jornalista, ele era ímpar, e sua história está escrita nas páginas do DIÁRIO DO RIO DOCE, por mais de 40 anos.”

Carlos Thébit
Presidente da Sociedade Recreativa Filadélfia

“Carioca foi um dos grandes jogadores que vi jogando, e em Valadares ele fez história. Nós do esporte estamos muito tristes com a sua partida. Eu posso dizer que o Filadélfia tem muito a agradecer a ele, pelo apoio que nos deu ao longo de sua carreira. Através de seu trabalho, ele ajudou muito o esporte do Filadélfia e os atletas das diversas categorias que passaram pelo clube. O esporte precisa e está carente atualmente de pessoas como o Carioca.”

Luiz Alves Lopes – Luizinho
Ex-jogador

“Valadares está de luto. Quem conviveu com o Carioca como atleta, como dirigente, como religioso, sabe do que eu falo. Foi uma perda muito grande. Carioca combateu o bom combate, e isso deve ser uma alegria muito grande para seus familiares. Lembro que o Carioca se destacou no Clube Atlético Pastoril, onde deixou saudades, e depois teve uma grande fase no Democrata, como jogador. Outra conquista dele, pouco divulgada, foi a do Ilusão Esporte Clube, em 1960, quando ele se tornou o primeiro campeão mineiro de futebol de salão. Carioca teve uma vida muito farta e rica no mundo esportivo. Vá com Deus, meu irmão, encontrar a dona Selma, que, temos certeza, está te esperando de braços abertos.”

Gilmar Estevam
Ex-jogador

“Momento triste a perda dele. Na época que cheguei ao Democrata, em 1989, ele ia fazer reportagem com os jogadores e sempre aproveitava para me dar conselhos, que foram muito importantes em minha carreira. Ele era um profissional e um amigo ao mesmo tempo. Nossa relação se transformou numa grande amizade. Carioca sabia criticar na hora certa, e isso nos ajudava muito. Tem uma passagem interessante, que eu não esqueço. Um dia eu estava jogando e ele falou comigo para me proteger, porque eu estava sendo marcado com muito rigor em campo por um atleta adversário. Lembro que ele me mandou colocar os cotovelos para trás, para evitar uma agressão mais forte, mas eu que acabei dando uma cotovelada no adversário e fui expulso de campo.”

Osmar Xavier
Comentarista esportivo

“O carioca era muito profissional, muito conhecedor da área esportiva. Eu tive o prazer de conviver com ele na beira do gramado, acompanhando treinos e jogos do Democrata. Até por conhecer de futebol, por ter sido jogador de futebol, ele sabia do que estava falando e sabia conduzir as palavras. Quando um jogador perdia uma penalidade máxima, ele dizia assim: telegrafou, por isso que ele perdeu, ou seja, bateu muito mal, devolveu a bola pro goleiro. Apesar do pouco tempo de conhecimento que tivemos, posso dizer que perdemos um grande profissional do jornalismo esportivo.

por Angélica Lauriano | angelica.lauriano@drd.com.br