Alê questiona finanças da Mobi após a Operação Mar de Lama

Doutor Marcílio espera que a CPI provoque mudanças na forma de definição da tarifa de transporte coletivo

Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura se há irregularidades no contrato de concessão entre o município e a Empresa Mobi Transporte Urbano (antiga Valadarense), o vereador Alessandro Ferraz, o Alê (PHS) questiona as finanças da empresa após a Operação Mar de Lama. Em reunião da CPI na sexta-feira (27), Alê comentou dados obtidos em planilhas de custos operacionais e lucros obtidos pela Mobi nos últimos anos.

Ao observar os números, o vereador estranhou que empresa tenha operado com uma margem de lucro de aproximadamente 40%, e após a Operação Mar de Lama a então Valadarense teve um grande aumento nos custos, embora a receita tivesse se mantido estável, inclusive com empréstimos realizados pela empresa. “A partir de 2015 a empresa muda as atitudes dela. Ela começa a aumentar o repasse para seus sócios, diretores e funcionários. Será que ela quer se tornar uma empresa sem saúde financeira? Porque o lucro ela já diminuiu, aumentando o custo. E além de aumentar o custo, ela começou a emprestar dinheiro. O capital acumulado ao longo dos anos está sendo tirado da empresa”, disse o parlamentar.

Segundo Alê, é importante observar esses números para avaliar se o preço da tarifa é justo ou não – atualmente, são cobrados R$ 4,30 para os passageiros que pagam em dinheiro, e R$ 3,75 para usuários do cartão da Mobi. O vereador apresentará o relatório final da CPI na próxima sexta-feira, dia 4. Depois disso, o documento será encaminhado às comissões da Câmara e deve ser levado ao plenário até o dia 10, prazo de encerramento da CPI. De acordo com o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, o vereador Doutor Marcílio (MDB), o resultado das apurações será levado ao Ministério Público. Marcílio espera que, após a CPI, haja mudanças na forma de definição da tarifa de transporte coletivo.

“Essa CPI foi realmente muito prolixa em dados. Nós devemos ter umas 30 mil páginas para análise. Mas os dados têm sido contundentes. A CPI produziu e vai mostrar aquilo que foi encontrado nessa investigação, a CPI agora passa isso para o Ministério Público, esse é o caminho. O Ministério Público agora vai definir, e nós vamos apresentar também algumas propostas de mudança nessa relação entre Câmara, Prefeitura e os dados que chegam até a gente. Essa análise que é feita para aumentar a passagem deveria passar pela Câmara. Nós não tomamos conhecimento”, comentou Marcílio.

O que diz a Mobi

Em nota, a Mobi reitera que o resultado contábil não tem pertinência para concessão dos serviços. A empresa espera que o relatório da CPI conclua que não houve descumprimento contratual. “A Mobi já se posicionou que o resultado contábil de uma empresa privada não tem qualquer pertinência com a concessão dos serviços. Tanto é que nos últimos dois anos a empresa apresentou prejuízo contábil e não por isso justificou seu requerimento de revisão contratual. O resultado contábil de uma empresa privada é sensível a diversas medidas em que sua direção tem a autonomia para decidir. Indiferente do resultado contábil positivo ou negativo, a concessionária cumpriu todos os requisitos contratuais exigidos em todos os anos da concessão. Não existe nenhum descumprimento contratual e somente essa pode ser a conclusão da CPI, assim como foi essa a decisão do processo administrativo encerrado pela Prefeitura Municipal”, afirma o texto encaminhado pela Mobi.

por THIAGO FERREIRA COELHO