Aedes aegypti: Projetos obtêm resultados inovadores no combate aos vírus transmitidos pelo mosquito

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Dois projetos desenvolvidos por um professor do campus da Universidade Federal de Juiz de Fora em Governador Valadares (UFJF-GV) têm inovado no combate ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Uma dessas atividades visa estimular a população dos diversos bairros da cidade a participar, de forma mais ativa, das ações de eliminação dos focos do Aedes aegypti.

A outra iniciativa é voltada para a pesquisa sobre quais grupos de pessoas são mais vulneráveis à forma mais grave da dengue: a hemorrágica. O responsável por ambos os projetos é o docente do Departamento de Ciências Básicas da Vida, Thiago Vinícius Ávila, que desde 2016 – ano em que Minas Gerais viveu uma epidemia de dengue – se dedica ao estudo do inseto.

Estratégia inovadora

Apesar das campanhas educativas, promovidas pelo poder público nas mais diversas mídias, Ávila observou que a incidência das doenças transmitidas pelo mosquito não reduzia. O insucesso dessas ações, na opinião dele, era a falta de envolvimento da comunidade, que, apesar de receber informações sobre zika, chikungunya e dengue e da importância de eliminação do mosquito transmissor, não era estimulada a fazer parte dessas estratégias, ou seja, não era consultada para saber a demanda de cada território da cidade.

O professor decidiu, então, criar uma rede de mobilização social, em que os principais atores são os próprios moradores, que identificam as necessidades de suas regiões e, eles próprios, mobilizam-se para buscar as soluções. E essa rede começa com o treinamento dos profissionais que atuam nas unidades do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) de Governador Valadares, os quais multiplicam os conhecimentos adquiridos nas oficinas ministradas no projeto, repassando-os para os usuários do serviço.

Resultado inédito

Outro projeto coordenado pelo professor Ávila analisou os dados de cerca de 180 pacientes acometidos pelo surto de dengue que ocorreu em Belo Horizonte no ano de 2010. E foi com base nessas informações que chegou a um resultado inédito: hipertensão, diabetes e tabagismo não determinaram uma manifestação da forma mais severa da dengue em indivíduos jovens. Tais fatores só se mostraram relevantes em pessoas acima dos 55 anos.

Como se trata de uma descoberta inovadora, os resultados vão ser apresentados na edição deste ano do Congresso Brasileiro de Medicina Tropical, que acontece em Belo Horizonte, em julho.

O próximo passo, agora, é juntar esses dados às informações que também foram coletadas dos prontuários de 60 pacientes das cinco unidades de saúde de Governador Valadares que mais notificaram casos de dengue nos anos de 2017 e 2018.