A bipolaridade da política brasileira

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Leitores, apresento aqui, de forma eclética e aberta, minha posição política baseada na cosmovisão filosófica e científica da história, da geopolítica, da sociologia e de outras ciências já estudadas. Defino que essa não é uma concepção partidária, apesar das convergências pontuais surgirem com algumas insinuações e considerações do progressismo.

Não faço parte de nenhum partido político, porém, sou um ativista atencioso às questões existenciais da humanidade. Jornalista por formação, convicto observador dos seres vivos, dos direitos humanos e da sustentabilidade universal. Minha luta é a favor do bem-estar social, da solidariedade, do amor ao próximo, do altruísmo e da preservação do meio ambiente. Sempre serei contra todo projeto que represente a violência em todas as suas formas.

Sou contrário às perdas dos direitos constitucionais, às ameaças à dignidade humana, às injustiças sociais e bloqueios da evolução contemporânea. Defendo, então, que irei fazer contraposição à atual formatação de governo que está sendo recomendado para mais de 200 milhões de brasileiros.

Seria muito bom que todos tivessem uma reflexão, mesmo que diferente da minha, vissem e analisassem o mundo de forma coerente, tendo mais transparência nas intenções e ideias. Infelizmente, a maioria dos brasileiros não se aprofunda em análises e replica falsas notícias. Somos um povo imediatista, sem raciocínio lógico e intolerante.

O que se apresenta hoje no Brasil é a extrema bipolaridade política, o fundamentalismo das instituições partidárias e a violência social, frutos de nossa base familiar, da nossa péssima formação social, que remonta ao início do Brasil-Colônia. Corrigir essas deformidades no atual cenário requer políticas acertadas, principalmente para o projeto da educação. Uma população que saiba cobrar dos atuais políticos aquilo que é melhor para a coletividade.

Com as reformas apresentadas até o momento, teremos um breve retorno à Idade Média, vivendo num vácuo moral e existencial. As ditaduras conservadoras, apresentando “mágicas” e oferecendo milagres a históricos problemas socioeconômicos, exploram o ódio e criam cisões na sociedade.

Com a reforma previdenciária, quem vive do trabalho como operário terá que labutar até o último suspiro. Também a tirania de esquerda, que aconteceu quando se deixou de lado a participação popular e os movimentos sociais, entrou no mesmo jogo de poder das elites dominantes.

Há causas e efeitos diferentes, dependendo se essas elites controlam o governo ou não. Em princípios de democracia no atual panorama, o povo desfruta daquilo que merece ou que plantou. Se não assumirmos o protagonismo de nossa nação, se não reivindicarmos nossos direitos, seremos o país das crises, dos golpes, do desemprego e da violência. E comemorando as vitórias dos impérios em reverência à nossa memória.

O atual regime brasileiro caracteriza-se pela total abstinência de ideias, dessas mesmas ideias que formam o pensamento de Platão (Atenas, 348/347 a.C.) no clássico “Mito da Caverna”, onde ele demonstrava, através de alegorias, como o ser humano, acostumado a determinada premissa/dogma, habitua-se a ela e cria bloqueios para ‘ver o outro lado da moeda’, mesmo que essas ideias fossem para encontrar a verdadeira luz da razão e da ciência.

Academia Valadarense de Letras – AVL Fundada em 9 de agosto de 1975

Thales Alves de Aguiar | Patrono: Gonçalves Dias